O aumento da população mundial e das demandas por água, energia e alimentos poderão provocar uma “catástrofe” em 2030, segundo previsões do principal conselheiro científico do governo britânico.

John Beddington descreveu a situação como uma “tempestade perfeita”, termo usado quando uma combinação de fatores torna uma tempestade que, por si só, não teria tanto efeito, em algo muito mais poderoso. A analogia também é usada para descrever crises econômicas.

Segundo Beddington, com a população mundial estimada em 8,3 bilhões de pessoas em 2030, a demanda por alimentos e energia deve aumentar em 50%, e por água potável deve aumentar em 30%.

As mudanças climáticas devem piorar ainda mais a situação, vai advertir o cientista nesta quinta-feira, na conferência Desenvolvimento Sustentável RU 09, em Londres.

Complacência

“Não vai haver um colapso total, mas as coisas vão começar a ficar realmente preocupantes se não combatermos esses problemas”, afirma Beddington.

Segundo ele, esta crise por recursos vai ser equivalente à atual crise no setor bancário.

“Minha principal preocupação é com o que vai ocorrer internacionalmente, vai haver falta de alimentos e de água”, prevê o cientista.

“Nós somos relativamente sortudos no Reino Unido; pode não haver falta, mas podemos esperar um aumento de preço dos alimentos e de energia.”

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) prevê falta de água generalizada na África, Ásia e Europa até 2025.

A quantia de água potável disponível por habitante deve diminuir dramaticamente neste período.

Transgênicos

A questão da segurança alimentar e energia chegou a entrar no topo da agenda política no ano passado, durante a alta do preço do petróleo e de commodities.

Segundo Beddington, a preocupação agora que os preços voltaram a cair é de que essas questões saiam da agenda doméstica e internacional.

“Não podemos ser complacentes. Só porque os preços caíram, não significa que podemos relaxar”, diz ele.

Melhorar globalmente a produtividade agrícola é uma forma de combater o problema, afirma Beddington.

Atualmente, se perdem entre 30% e 40% de toda a produção, antes da colheita, por causa de pragas e doenças.

“Temos que procurar uma solução. Precisamos de mais plantas resistentes a pragas e doenças, e de melhores práticas agrícolas e de colheita”, afirma Beddington.

“Os alimentos transgênicos também podem ser parte da solução. Precisamos de plantas que sejam resistentes à seca e à salinidade – uma mistura de modificações genéticas e cruzamento convencional de plantas.”

De acordo com o cientista, também são essenciais melhorias na estocagem de água e fontes de energia mais limpas.

John Beddington está a frente de um subgrupo de um novo departamento do governo criado para combater a segurança alimentar.

Fonte: BBC Brasil

19/03/2009

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Obama suspende restrições a pesquisas com células tronco.

barack_obama_presidente_eua_2009O presidente americano, Barack Obama, anunciou nesta segunda-feira o fim de várias restrições para pesquisas com células-tronco feitas com verbas federais. “Milagres médicos não acontecem simplesmente por acidente”, disse ele ao fazer o anúncio que representa uma grande mudança na política americana.

O ex-presidente George W Bush tinha bloqueado o uso de qualquer verba federal para pesquisas com linhagens de células-tronco criadas depois de 9 de agosto de 2001.

Analistas afirmam que a decisão de Obama também pode levar o Congresso americano a suspender uma outra proibição, a de gastar o dinheiro de impostos para criar embriões.

Clonagem humana

“Não posso garantir que encontraremos os tratamentos e as curas que procuramos”, disse Obama.

“Mas prometo que vamos procurá-los, ativamente, com responsabilidade e com a urgência necessária para compensar o terreno perdido”, disse ele, se referindo ao ator e ativista em defesa do uso de células-tronco, Christopher Reeve.

Obama ordenou que órgãos de saúde formulem, dentro de 120 dias, diretrizes sobre como as pesquisas federais devem proceder sobre células-tronco que são produzidas em laboratórios privados.

Mas Obama disse que não permitirá que a pesquisa com células-tronco estude a clonagem humana que, segundo ele, “não tem espaço na nossa ou qualquer sociedade”.

Polêmica ética

A proibição, conhecida como Emenda Dickey-Wicker, existe desde 1996 e é renovada todo ano pelo Congresso.

Células-tronco são células com a capacidade de se transformarem em outro tipo de célula humana, células de ossos, músculos ou nervosas, por exemplo.

Um embrião pode fornecer um estoque sem limites destas células. Mas o uso de células-tronco de embriões humanos em pesquisas é um assunto polêmico e alguns ativistas acreditam que isto não seria ético.

Cientistas afirmam que estas pesquisas podem levar a grandes avanços médicos, mas muitos grupos religiosos são contra.

A prática de criar embriões é rotineira em clínicas particulares, mas a proibição vigente nos Estados Unidos coloca obstáculos para pesquisas federais até mesmo antes das restrições impostas por Bush, o que obrigou os cientistas a usar embriões que sobraram de tratamentos de fertilização.

A proibição do uso de verbas federais significava que cientistas eram obrigados a separar qualquer pesquisa de células-tronco com verbas particulares de suas atividades financiadas pelo governo.

Interferência política

Correspondentes afirmam que a mudança é parte de um compromisso de Barack Obama, de deixar claro que seu governo quer que a pesquisa científica fique livre de interferências políticas.

Obama deixou claro durante sua campanha presidencial que, se eleito, iria reverter a decisão do governo Bush, que vetou duas vezes as tentativas do Congresso de suspender a proibição.

“Acredito que as restrições impostas pelo presidente Bush para o financiamento de pesquisas com células tronco de embriões humanos algemaram nossos cientistas e prejudicaram nossa capacidade de competir com outros países”, disse Obama durante a campanha.

O presidente George W. Bush e outros conservadores argumentavam que os embriões são vivos, humanos, e por isso não deveriam ser destruídos.

De acordo com o correspondente da BBC em Washington Kevin Connolly, assim como Bush, Obama tem crenças cristãs profundas, mas prefere definir a questão nos termos de restaurar a integridade científica ao governo.

Em uma entrevista à BBC em janeiro, Robert Evans, pastor e estudioso de bioética, afirmou que será contra qualquer medida que permite o uso de verbas federais para novas linhagens de células-tronco.

“O que (a medida) indica é que foi negado ao embrião humano o direito à vida”, disse.

Vaticano condena liberação de verba pública para pesquisas com células-tronco

O Vaticano recebeu “com preocupação” a suspensão nos Estados Unidos das restrições ao uso de verbas federais para pesquisas com células-tronco embrionárias, e seu jornal –”L’Osservatore Romano”– reiterou a importância de “zelar pela dignidade da pessoa em todas as fases de sua existência.”

“O reconhecimento da dignidade pessoal deve se estender a todas as fases da existência do ser humano. Neste pensamento se baseia uma democracia real, capaz de reconhecer a igualdade de todos os homens e de impedir qualquer discriminação injusta baseada em seu desenvolvimento ou em suas condições de saúde”, defende.

Artigo escrito pelo diretor do Centro de Bioética da Universidade Católica de Roma, Adriano Pessina, ressalta que o embrião deve ser tratado ‘desde o princípio pelo que é, uma pessoa’.

No último sábado (7), o jornal da Santa Sé publicou as críticas dos bispos americanos à medida sancionada ontem pelo presidente Barack Obama –que eles chamaram de ‘profundamente imoral e supérflua’– e lembrou a oposição da Igreja sobre a pesquisa com células-tronco embrionárias.

“Uma vez ultrapassada a fundamental linha moral que nos impede de tratar os seres humanos como meros objetos de pesquisa, não haverá um ponto de parada”, afirmaram os bispos dos EUA.

Fonte: BBC Brasil e Folha Online

10/03/2009

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O presidente Lula diz que aborto deve ser tratado como questão de saúde pública.

Na abertura do Seminário Mais Mulheres no Poder, nesta segunda-feira (9), em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a mencionar o tema do aborto e o caso da menina de 9 anos que foi violentada pelo padrasto em Pernambuco.

A criança ficou grávida de gêmeos e teve a gestação interrompida por médicos na última quarta-feira (4). A igreja católica foi contra e excomungou os médicos que participaram do procedimento e a mãe da menina.

“Recentemente vocês viram o problema da menina de Pernambuco. É mais do que absurdo. Como é que você pode proibir a medicina de cuidar de uma menina de 9 anos?”, criticou.

“Se me perguntarem se sou contra o aborto, eu vou dizer que, como cristão, eu sou contra o aborto. Agora, como chefe de Estado, tenho que tratar como questão de saúde pública”, acrescentou.

O presidente falou ainda da distribuição de camisinhas que fez no domingo de Carnaval, quando acompanhou os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro na Sapucaí. “Eu fui questionado no Carnaval porque o (ministro da Saúde, José Gomes) Temporão estava com a equipe distribuindo preservativos. Fui questionado porque joguei preservativo para o público no Carnaval”, lembrou.

“Eu não posso, como pai e como Presidente da República, fingir que distribuir preservativo é ruim. Quem sabe o que significa a Aids tem mais é que levantar a cabeça e dizer que o governo tem que tratar disso”, completou.

Lula completou afirmando que “não tem a verdade absoluta” e que “prefere pagar por fazer errado do que por ter se omitido”.

Fonte: UOL

10/03/2009

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o “ano do boi” preocupa os cristãos chineses

No calendário chinês, 2009 é o “ano do boi”. Para eles, o boi é sinônimo de disciplina, autoridade e deveres. Cristãos de todo o mundo demonstram a preocupação de que o governo chinês poderá utilizar essa crença como justificativa para aumentar a repressão aos dissidentes do sistema.

De acordo com um grupo que trata sobre a liberdade religiosa, no ano de 2008, a perseguição às igrejas não registradas na China aumentou 418%.

O total de perseguidos em Pequim de quem se tem relato é de 539 pessoas, de janeiro a dezembro de 2008, 418% a mais do que em 2007. De modo geral, na China 2.027 pessoas foram perseguidas por causa de sua fé cristã.

“A perseguição mais severa em 2008 está relacionada com os Jogos Olímpicos”, afirma a reportagem. “Não é difícil compreender, pois quando o governo realiza grandes projetos sociais, implementa-se uma séria repressão para manter a aparência de estabilidade ao espalhar o medo entre a população.”

Perseguição, como definiu a reportagem, inclui ameaças, multas excessivas, propriedades confiscadas, interrogatórios, prisões e abusos.

A China é um país oficialmente católico, e seus cidadãos não podem cultuar, ao menos que seja em uma igreja registrada e supervisionada pelo governo.

Dezenas de milhares de cristãos – número estimado em mais de 100 milhões – se recusam a cultuar em igrejas controladas pelo governo. Esses cristãos “clandestinos” ou “não registrados” cultuam secretamente em suas casas, correndo o risco de serem presos, multados, ou aprisionados pelos oficiais do escritório de segurança pública.

Os membros de igrejas não registradas argumentam que o governo não deveria ser o líder da igreja, e restringir o lugar em que devem cultuar é infringir a liberdade religiosa.

Recentemente, as organizações reconhecidas pelo governo demonstraram o desejo de ajudar as igrejas não registradas da China, providenciando Bíblias para os membros.

Na China, somente as igrejas registradas podem vender Bíblias. A venda e distribuição das Escrituras é extremamente controlada, para que não sejam importadas ou vendidas em livrarias comuns. Como resultado, é difícil para as igrejas não registradas terem um exemplar da Bíblia.

No ano passado, organizações se reuniram com os líderes de igrejas para propor um trabalho conjunto para criar a Igreja protestante chinesa e auxiliar os pastores com os problemas teológicos que a igreja enfrenta.

Segundo o governo americano e a Portas Abertas Internacional, apesar de a China estar longe de ser um país respeitável no que diz respeito à liberdade religiosa, já fez grandes progressos. O país caiu duas posições na Classificação de países por perseguição de 2009 da Portas Abertas Internacional.

Uma reportagem feita pela China Aid mostra que a China ainda tem sérios problemas de liberdade religiosa, talvez muito bem mascarados pelo governo. Durante as Olimpíadas, o governo fez uso de métodos sutis para perseguir os cristãos, como prender somente líderes de igrejas não registradas importantes, e não grupos de cristãos como nos anos anteriores.

O número de pessoas condenadas também aumentou. Os números demonstram um total de 119%, de 16 para 35 pessoas. O número de maltratados subiu de 35 para 60 pessoas.

Afirma-se que essa é só a ponta do iceberg e, na verdade, a perseguição aumentou muito mais. As informações se referem a maior parte das províncias e envolvem diversos tipos de perseguição.

“É o suficiente para mostrar a situação geral e o grau de perseguição às igrejas não registradas.”

Fonte: Portas Abertas

27/02/2009

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O evangelho segundo Barack Obama

Embora vitória de Obama seja vista como o triunfo da irreligião “ao estilo europeu”, ela só foi possível por causa do eleitorado evangélico. A observação de que os EUA são o único país rico do mundo em que a religião ainda exerce papel central já virou clichê -e, como é o caso de quase todos os clichês, contém muita verdade.

Mas o papel e o impacto da fé no cenário americano são, também, muito mais complexos do que frequentemente aparentam ser à primeira vista -especialmente à primeira vista de estrangeiros vindos de sociedades em grande medida pós-cristãs da Europa Ocidental ou das sociedades pós-budistas e pós-confucianas da Ásia oriental, sendo a Coréia do Sul e Mianmar as grandes exceções piedosas.

Comecemos pelo saber convencional: é inquestionável que qualquer pessoa interessada em ocupar cargos políticos de alto nível nos EUA hoje precisa afirmar-se como uma pessoa de fé.

Isso não quer dizer que o candidato precise ir tão longe quanto foi George W. Bush na campanha presidencial de 2000, ao dizer que a maior influência em sua vida foi Jesus Cristo (o 43º presidente insistiria, mais tarde, em que não tinha necessidade de consultar seu pai, o 41º presidente, porque podia consultar o Divino).

Pelo contrário -presidentes americanos tão diferentes quanto Richard Nixon, Ronald Reagan e Bill Clinton não deram grande destaque a sua fé e, embora fizessem todos os gestos corretos para assinalar a obediência à religião, dificilmente se poderia afirmar que a piedade fosse um traço essencial do caráter de qualquer um dos três. Mas nunca houve nenhuma dúvida de que demonstrassem respeito, ao menos da boca para fora, à ideia de devoção religiosa.

Barack Obama enfrenta uma situação mais complexa.

Ele assumiu a Presidência depois de oito anos de um governo Bush possibilitado pelos votos de protestantes evangélicos e católicos socialmente conservadores -incluindo, na eleição de 2000, um número considerável de eleitores de origem latina nascidos nos Estados Unidos.

Durante algum tempo, até as obsessões xenófobas da linha dura do Partido Republicano terem desagradado tanto aos eleitores imigrantes que acabaram prejudicando até mesmo Bush -cujas posições sobre a imigração na realidade são surpreendentemente esclarecidas-, comentava-se entre os altos assessores de Bush que o partido poderia garantir seu futuro ao assegurar a fidelidade dos imigrantes latinos.

Isso seria conseguido enfatizando os pontos em comum identificados em eleições -sobretudo a oposição ao casamento gay-, o respaldo ao apoio dado pelo governo às fundações religiosas, apesar dos impedimentos constitucionais, e, enfim, a ênfase nos valores familiares tradicionais.

Recriação

Entretanto a adesão suicida do Partido Republicano a uma plataforma anti-imigração extrema não levou os democratas a perder de vista a necessidade de tentar atrair os eleitores religiosos.

De fato, nos últimos anos da administração Bush, vários nomes de destaque do Partido Democrata -entre eles, sobretudo, a muito influente ex-secretária de Estado do governo Clinton, Madeleine Albright- escreveram livros exortando o partido a reconhecer o papel fundamental exercido pela religião na vida americana e acabar com a reputação do partido de indiferença às preocupações dos eleitores religiosos.

De fato, esse apelo por um “compromisso histórico” com os crentes fez parte do projeto do Partido Democrata de se recriar -um acréscimo à compreensão pelos democratas de que, enquanto não conseguissem enfraquecer a acusação republicana de que eram fracos em questões de segurança nacional, jamais retornariam ao poder em Washington.

É claro que havia questões importantes para os eleitores religiosos com as quais os democratas se negavam totalmente a conciliar -sobretudo o direito legal das mulheres ao aborto e os direitos dos gays (embora não necessariamente o casamento gay, algo ao qual o candidato Barack Obama fez questão de se opor).

Mas, excetuando algumas figuras periféricas da extrema esquerda do partido, houve pouca ou nenhuma divergência de opinião quanto à necessidade de trazer os eleitores religiosos de volta ao rebanho democrata, pois os estrategistas do partido compreendiam que, sem fazer pelo menos alguns dos eleitores se afastarem do Partido Republicano -assim como estrategistas republicanos, como o assessor de Bush Karl Rove, pretendiam atrair os eleitores imigrantes-, os democratas jamais conseguiriam reconstruir uma coalizão governante.

Margem estreita

É importante lembrar que as eleições nos EUA costumam ser decididas por margens relativamente estreitas.

Num país tão igualmente dividido politicamente, a vitória por cinco pontos percentuais numa eleição presidencial é considerada decisiva, e uma vitória por dez pontos é vista como avassaladora.

É por isso que eleitorados que, demograficamente falando, são relativamente pequenos exercem influência tão desproporcional, quer se trate de um grupo étnico, como os judeus americanos, ou dos eleitores obcecados por uma questão única, como os defensores dos “direitos às armas”.

Não se trata de modo nenhum de conspiração, não importa o que possam imaginar alguns paranóicos -em lugar disso, essa situação reflete a realidade política americana, na qual mudanças relativamente pequenas nos padrões de voto em um dado Estado podem alterar todo o rumo de uma eleição.

E os eleitores evangélicos não são um contingente pequeno: são contabilizados em dezenas de milhões.

Eleitores distantes

O que os democratas acabaram por entender durante os longos anos dos dois mandatos de Bush foi que, sem esses eleitores comparecendo em números avassaladores para votar nos republicanos, os democratas provavelmente venceriam.

O corolário, é claro, era que o distanciamento desses eleitores em relação ao Partido Democrata foi o que abriu a porta a Bush em primeiro lugar.

O que surpreende é quanto tempo foi preciso para os democratas se darem conta dessa verdade. Afinal, se, nos países da Europa ocidental, a exclusão da fé das campanhas eleitorais se tornou praticamente uma lei inabalável da política, nos EUA há no mínimo um imperativo igualmente forte para fazer o contrário.

Como candidato, Obama estava bem posicionado para capitalizar sobre essa nova ortodoxia democrata (nos dois sentidos do termo).

Igrejas e política

As igrejas sempre estiveram no centro da política afro-americana. De fato, existem poucos políticos afro-americanos importantes nos EUA, hoje, que não saíram eles próprios das igrejas (como pastores ou diáconos) ou ascenderam graças ao apoio dedicado de líderes religiosos em suas comunidades.

Como sempre se queixam os americanos de direita -e com razão-, apesar de ser ilegal líderes religiosos endossarem políticos no púlpito e ainda conservarem o status de isenção de impostos de suas igrejas, essas leis nunca foram aplicadas às igrejas afro-americanas.

Qual é a natureza da fé pessoal de Obama, sua profundidade e até que ponto é central para ele são questões que permanecem um enigma para quem não o conhece pessoalmente.

Mas não há dúvida sobre os vínculos profundos que ele tem com sua igreja. Embora a lealdade pessoal tenha inegavelmente exercido um papel, foram esses vínculos uma razão importante pela qual Obama, o candidato, relutou tanto em cortar seus laços com seu pastor radical, o reverendo Jeremiah Wright.

É também isso o que ajuda a explicar por que, desagradando os elementos mais de esquerda de sua base política, o presidente eleito Obama achou tão fácil convidar um evangélico (branco) popular, o reverendo Rick Warren -homem que já afirmou que acredita no criacionismo e que vem se opondo inflexivelmente ao casamento gay e, na visão de muitos, aos direitos dos gays de modo mais geral- para fazer a evocação (religiosa) em sua posse, em 20/1.

A decisão levou muitos a acreditarem que o papel da religião na política americana poderá ser tão forte sob o governo de Obama quanto foi no de Bush. Mas não é assim que os evangélicos de direita enxergam a situação.

Pelo contrário -nesses círculos a vitória de Obama está sendo vista como vitória da irreligião “ao estilo europeu”.

Como disse o teólogo evangélico de linha dura J.D. Moreland no programa de rádio de Hugh Hewitt (após o programa de Rush Limbaugh, um dos programas de entrevistas de direita na rádio mais ouvidos no país), após a vitória de Obama, “os evangélicos recuaram, foram expulsos, e a cultura está se deslocando rapidamente em direção à Europa. Está cada vez mais secularizada”.

Em um dado momento, Hewitt adota tom ainda mais apocalíptico. Os evangélicos, diz, “foram absolutamente destruídos nas urnas e estão sentados ali, se perguntando o que aconteceu -”onde foi que erramos, por que este governo é tão de extrema esquerda?’”.

Assim, ao mesmo tempo em que o papel da fé no início da administração Obama pode parecer, visto de fora, uma continuação do monopólio que a religião vem desfrutando na vida política americana, os conservadores religiosos militantes temem o exato oposto -que estejam perdendo o controle.

E a cooptação por Obama de figuras como Warren apenas intensifica sua perplexidade e exacerba sua desorganização política. Assim, não surpreende que os vários elementos constituintes da coalizão que elegeu Bush duas vezes -conservadores religiosos, neoconservadores e conservadores empresariais- estejam culpando uns aos outros pela derrota.

Isso não significa que a religiosidade americana esteja se desfazendo da maneira como imaginam os católicos de direita e a liderança evangélica.

Mudança para o centro

Uma explicação mais provável é que o centro de gravidade política entre os eleitores religiosos esteja se deslocando para o centro.

Afinal, mesmo a hierarquia atual da Igreja Católica americana, socialmente bastante conservadora, enfatiza a justiça social pelo menos tanto quanto enfatiza a oposição ao aborto e aposta em seu futuro demográfico -imigrantes do México e da América Central, que são o futuro demográfico do mundo católico praticante nos EUA.

E, mesmo entre os evangélicos, há uma divisão de gerações: os evangélicos mais jovens são quase tão atraídos pela candidatura Obama quanto os jovens seculares.

Em outras palavras, não há razões para supor que as duas perguntas que visitantes europeus vêm fazendo desde o século 19 -por que os americanos são tão religiosos e por que o socialismo nunca deitou raízes entre eles?- vão se tornar ultrapassadas no futuro próximo.

Ou, para dizer a mesma coisa com mais cautela, a questão da religião dificilmente irá se tornar irrelevante.

Em vista da implosão do capitalismo caubói dos últimos 25 anos e do opróbrio universal hoje dedicado a Wall Street, o socialismo americano hoje tem uma chance muito melhor de finalmente emergir do que tem a religião americana de ser relegada às margens culturais e políticas -não importa o que a direita possa temer ou o que os frustrados cosmopolitas americanos possam esperar.

Fonte: Folha de São Paulo

26/02/2009

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Emenda polêmica entre homossexuais e evangélicos será votada na AL.

O deputado estadual Alexandre Cesar (PT) pediu votação em destaque da emenda do deputado Antonio Severino Brito (PMDB) ao Projeto de Lei nº 760/07, que institui o Dia Contra a Homofobia no Estado de Mato Grosso.

De autoria do petista, a data seria uma oportunidade de discutir os direitos dos homossexuais. No ano passado, após pedir vistas do projeto, o peemedebista apresentou emenda contrariando a iniciativa no cerne. Brito acrescentou parágrafo único para que no Dia Contra a Homofobia seja “vedado fazer apologia a homossexualidade”.

A votação em destaque foi concedida pelo presidente da Casa, deputado estadual José Riva (PP). “Desta forma vamos apreciar a emenda de Brito em plenário, separadamente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação”, explicou Cesar. Conforme o líder do PT no parlamento, não dá para menosprezar uma parcela tão grande da população mundial. “A Organização Mundial da Saúde estima que de 7 a 15% da humanidade são homossexuais. Portanto, mesmo entendendo as convicções religiosas do pastor Brito não posso concordar com elas”, enfatizou.

Para o deputado Alexandre Cesar a emenda do deputado Brito define uma prática homofóbica. “A data sugerida no projeto é exatamente para lembrar o dia em que a OMS retirou o homossexualismo do rol de doenças e perversão. Não se trata, portanto de uma data para se realizar a parada da diversidade sexual como muitos pensam. Será uma data de reflexão”, conclui.

Fonte: O Documento

21/02/09

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Igreja cristã americana promete grande protesto contra homossexuais no Reino Unido


Uma famosa igreja fundamentalista cristã baseada nos Estados Unidos ameaçou fazer no Reino Unido sua primeira manifestação contra os gays em protesto contra uma peça estudantil homossexual, informa o jornal “Independent”.

Os fiéis são da Igreja Batista de Westboro, grupo homofóbico que vai a enterros de vítimas da aids e de soldados americanos com cartazes como “Deus Odeia Bichas”. Eles prometeram fazer o protesto nesta sexta-feira do lado de fora da faculdade de Basingstoke, que vai apresentar “The Laramie Project”, peça que fala sobre a morte de Matthew Shepard, um gay do Wyoming que foi espancado até a morte em 1998 e que virou símbolo da luta contra a homofobia.

Na terça-feira, o grupo informou que havia enviado secretamente alguns fiéis para o Reino Unido antes de serem impedidos de entrar no país por conta de crimes de racismo. A igreja, fundada por Fred Phelpa, ficou famosa quando usou o enterro de Shepard para mostrar ao mundo as suas crenças contra os homossexuais.

Nos últimos anos, os membros da igreja causaram ainda mais polêmica ao começarem a frequentar funerais de militares americanos, alegando que a morte dos soldados se devia à aceitação dos Estados Unidos ao homossexualismo.

Se conseguirem realizar o protesto nesta sexta-feira, será a primeira vez que a igreja se manifestará globalmente. O possível protesto também colocará enorme pressão sobre o governo britânico sobre a entrada dos fiéis no país caso, de fato, já tenham chegado.

Grupos de ativistas já prometeram tentar impedir o possível protesto dos americanos. Alguns sites na internet sugeriram, inclusive, usar da força para expulsar os fiéis de Basingstoke se necessário.

Fonte: Folhagospel

19/02/2009

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Barack Obama fala sobre Religião e Secularismo

Discurso muito curioso do presidente eleito Barack Hussein Obama, quem por sua vez se auto intitula cristão protestante, sobre as divergências doutrinárias religiosas no âmbito governamental norte americano.
[Suspeito?]

Confira o video e deixe a sua opnião ou comentário.

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